Diplomas, certificações e afins

A importância dos “papéis” (diplomas, certificações, cursos…) é um assunto que dá “muito pano pra manga”, mas é um ponto de vista a ser discutido e refletido. Ótimo artigo retirado do blog do Alberto Leal.

Não pretendia escrever sobre o assunto.  Mas, depois de ler várias opiniões de pessoas bem conhecidas falando sobre o assunto aqui, aqui e aqui, e os respectivos comentários da comunidade , refleti durante alguns minutos e senti vontade de  contribuir, de certa forma, com o meu ponto de vista sobre os assuntos: Faculdade, diplomas, certificações e afins.

Esse assunto é muito difícil de se debater. Toda vez que alguém toca nele, logo surge um flame war. Afinal, cada um tem seu ponto de vista, e muitos querem, de alguma maneira, impor a sua opinião como verdade absoluta. Uma coisa é fato: Não existe verdade absoluta para esse assunto. Ninguém está mais certo ou mais errado. Existem empresas que exigem profissionais certificados, graduados, com inglês, espanhol, alemão, enfim. Não podemos generalizar e falar que empresas como esse perfil estão seguindo o caminho errado, pois, muitas vezes, são os próprios clientes que exigem isso.

Diplomas, certificações, faculdade, isso tudo é sinônimo de qualidade no processo, qualidade do software no momento da entrega? resposta é simples: Não. Mas, então, por que será que alguns clientes exigem isso dos contratados?

Nossa área está repleta de picaretas. Pessoas que vendem gato por lebre. Todos nós estamos carecas de saber disso. Não fiz nenhum teste de campo para tentar provar o que vou dizer agora. São apenas minhas próprias opiniões, coisas que acredito que levam alguns clientes a pensarem/exigirem profissionais com diplomas/certificações.

Começando pelas faculdades. Todos sabemos que não é fácil ficar 4 anos dentro de uma faculdade. Ainda mais quando é necessário conciliar trabalho e estudos. Apesar de serem 4 anos, não quer dizer que os alunos sairão lá de dentro altamente capazes de desempenhar atividades na área. A faculdade é apenas um ponto de partida para aqueles que desejam ter uma visão geral das áreas e identificar lá dentro aquela que melhor lhe agrada, aquela que lhe desperte paixão em se trabalhar nos próximos anos de sua vida. Até mesmo porque existem pessoas que saem da faculdade e sequer trabalham na área. Durante a faculdade você vê muita coisa superficialmente, e se você desejar aprender realmente algum assunto você deve estudar e correr por fora – blogs, livros, fóruns, são bons exemplos. Faculdade é um bom lugar para se conhece pessoas, também.

Certificações, assim como diploma, não quer dizer que o profissional é “O Cara”. Não quer dizer que ele sabe tudo. Ele apenas se deu o trabalho de estudar o que caia na prova e foi lá e fez. Simples assim. Então, por que algumas empresas exigem profissionais com certificados? Meu ponto de vista é o seguinte: Certificações não mostram o quanto você sabe, não fazem de você um cara melhor do que o cara que não tem nenhuma certificação. Elas, apenas, mostram o seu interesse em estudar a fundo sobre o determinado assunto e fazer uma prova para, simplesmente, testá-lo. Elas refletem o seu esforço! Desde cedo somos obrigados a fazer testes, provas. Quem não se lembra da frase: “Teste é para testar e prova é para provar”, rs. Lá atrás, quando ainda estávamos no CA, 1ª série, já fazíamos exames na escola. E, foi assim durante grande parte da vida de muitos. Depois da escola, vestibular, e em seguida, provas dentro da faculdade.

Por que fizemos provas durante a escola, faculdade? Essas provas garantiam que você sabia alguma coisa? Tais provas eram suficientes para você colar na testa um atestado de “Sou Foda em Cálculo”? Só porque você foi bem sucedido em qualquer exame durante a sua vida, não quer dizer que você sabe tudo. Ás vezes você deu sorte, pois o professor selecionou questões que você mandava bem, daí você foi lá e arrebentou!

O que quero dizer é o seguinte: Não olhe para profissionais com certificações e diplomas como se eles soubessem mais do que você. Ele apenas se deu o trabalho de estudar o conteúdo e fazer uma prova. Mas, também não olhe para seus diplomas e certificações como se não valessem de nada. Pois você pode estar dando um tiro no próprio pé, já que você fez coisas semelhantes durante boa parte da sua vida! Não esqueça que para passar de ano/vestibular você fez provas. Talvez esses métodos de avaliação não seja o melhor, mas não quero entrar nesse mérito aqui.

Agora, sem hipocrisia. Existem profissionais que tentam N vezes passar em 1 prova de certificação, e depois tiram outras 10 certificações e apóiam o movimento “Certificação não vale nada”. Pra quê investir tanto dinheiro e tempo para fazer provas de certificação, falar que as detêm e sair por aí a fora cantando de arquiteto de software ou sei lá mais o quê?! Primeiramente, devemos ser honestos conosco mesmo. Um cara não se torna arquiteto só porque ele têm XPTO certificações, todas tiradas em 2, 3 anos de estudos e provas. Alguém se torna um bom arquiteto de software com a experiência, com o tempo, enfrentando os mais diversos problemas no dia a dia. Já perdi as contas de quantas vezes eu já escutei algo do tipo: “Ah, o professor Y não é muito bom. Ele não conhece o mercado de trabalho, se conhecesse não estaria ensinando essa teoria. As coisas não funcionam desse jeito aí.”. É praticamente impossível viver só de teoria na nossa área, por isso, afirmo que um bom profissional se faz com o tempo. O tempo e os desafios são os responsáveis por lapidar um bom profissional. Lógico que, para isso uma boa base teórica faz toda a diferença, mas não devemos ficar presos, somente, a ela.

Outro assunto bastante delicado é a regulamentação da profissão. Não sou a favor dessa regulamentação. Acho isso a coisa mais idiota que existe! Existem profissionais no mercado que sequer possuem qualquer documento e são melhores do que outros que são formados e possuem 10,15,20 certificações. Existem pontos fora curva, com certeza! Pessoas sem faculdade, sem certificações, sem quaisquer papel que possa comprovar seu esforço nos estudos perante o mercado. Mas se pessoas com esse perfil quiserem se fazer percebidas, devem mostrar a cara. Contribuir com projetos open source, ajudar a comunidade em fóruns, dar palestras. Do contrário, acho que o caminho será mais árduo. O que não quer dizer que é impossível.

Como foi citado, não existe o dono da verdade quando tocamos nesse assunto. Cada um tem o seu ponto de vista, e , esse foi o meu!

Uma resposta

  1. Belo post!

    E aproveito o assunto para colocar uma opinião que tenho sobre ele:

    Diplomas, certificações e afins são meios para você se aprimorar, e conquistando elas você não chega no nível “o cara”, muito pelo contrário, você só está chegando no nível “o interessado”.

    Afinal das contas, se você é ateu você não irá fazer faculdade de Teologia! (rsrs)

    Agora se você se interessa por um determinado assunto os diplomas, certificações e afins são bons meios para adquirir conhecimentos.🙂

    Abraços!

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