Wikipedia, open source e a importância de ambientes colaborativos

Texto simples e direto. Achei bastante interessante. Retirado do blog Profissionais de TI.

“Open source é filosofia de vida”: está aí uma frase tão dita, tão debatida, tão passada, tão pouco compreendida e que eu acredito bastante. :)

Quando as pessoas vêm ao software livre e toda essa ideia revolucionária de que um mundo colaborativo é possível, outros respondem: “não é possível, isso de abrir a ideia, disponibilizar a forma como você construiu algo é loucura”. Qualquer tentativa de aplicação da colaboração é mal vista. A Wikipédia, por exemplo, é uma porcaria, não é?!

Em 2005, a Wikipédia foi considerada tão ruim quanto a Britannica [1]. Você nunca ouvir falar na Britannica? Trata-se da mais antiga enciclopédia escrita em inglês, sendo reconhecida em alguns livros ([2] e [3]) como a enciclopédia mais acadêmica do planeta. A Britannica é escrita e mantida por acadêmicos ingleses e alguns peritos. A Wikipédia é escrita e mantida por nós.

Então, no meio disso tudo, qual o problema com a Wikipédia? O maior é o preconceito. Pergunte a uma pessoa que odeia a Wikipédia o porquê de ela odiar a Wikipédia, você certamente vai ouvir “Ah, porque qualquer um pode mexer lá.”. O triste é que essa pessoa provavelmente nunca leu um verbete da Wikipédia. O preconceito é o maior problema quanto a qualquer construção colaborativa e à liberdade envolvida nisso. Vamos desenvolver um software em equipe e disponibilizar o código dele na internet, vamos escrever livros e disponibilizá-los publicamente na internet, vamos formar uma banda e por no nosso site os arquivos em formato mp3 para as pessoas baixarem. Se as pessoas acharem nossos softwares, livros e músicas, e quiserem colaborar, vamos deixar que elas colaborem. Isso parece filosófico demais para as pessoas. Existe um preconceito de que isso de “vida colaborativa” é apenas uma ideia bonita que não pode ser aplicada, por que na prática o que realmente importa é o dinheiro. O socialismo é bonito, o comunismo é legal, a anarquia é interessante, mas nos convém seguir o capitalismo, afinal de contas, o mundo é capitalista e o dinheiro é prazeroso.

Open source não é comunismo, open source não é socialismo. Open source também faz você ganhar dinheiro, e você não precisa passar por cima das pessoas. Certa vez, uma questão foi levantada ao Linus Torvalds: “Linus, muito se fala em software livre, Linux e comunismo. O Linux é comunista? Você é comunista?. E ele respondeu: “Se acreditar que o conhecimento não deve ficar preso em nossas mentes, mas sim que as pessoas devem ter livre acesso a ele e construí-lo juntas é ser comunista, por favor me considere comunista.”. Quando defendo o open source, não estou defendendo Cuba, estou defendendo o avanço intelectual da humanidade de forma colaborativa.

Referências
[1] http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2005/12/051215_wikipediacomparacaofn.shtml;
[2] Marian Sader. Encyclopedias, Atlases, and Dictionaries. New Providence, NJ: R. R. Bowker (A Reed Reference Publishing Company), 1995. ISBN 0-8352-3669-2;
[3] “Encyclopedias and Dictionaries”. Encyclopædia Britannica (15th edition) 18. (2007). Encyclopædia Britannica, Inc.. 257–286.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2005/12/051215_wikipediacomparacaofn.shtml;

Post original: http://blog.franciscosouza.net/2009/08/viva-colaboracao.html

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