Minhas impressões – Arduino no IFSP: 4ª reunião – 19/03/11

Caros leitores desse blog,

No sábado participei da 4ª reunião do grupo Arduino no IFSP, no próprio Instituto Federal de Educação Tecnológica de São Paulo (a.k.a CEFET-SP, ETFSP, Federal e outros nomes afins). Para aqueles que queiram saber mais detalhes de quais atividades são desenvolvidas e qual o propósito do grupo indico a leitura do post “Arduino no IFSP: estudo, diversão e conhecimento“, contido nesse mesmo blog e escrito por mim.

Pretendo nesse post enumerar algumas coisas que presenciei por lá, o encontro de número 4 do grupo foi bastante proveitoso 🙂

Panorama

Sábado às 12h estava marcada a 4ª reunião do grupo Arduino no IFSP, na própria instituição que dá nome ao grupo. Pela thread da lista de discussão a previsão era de uma presença de público bem legal para um sábado, muitas pessoas estavam animadas para comparecer.

Tivemos presença de membros dos cursos técnico, tecnólogo, engenharia, mestrado, professores (do próprio instituto e do SENAI) e entusiastas (dentre eles o criador da placa Severino, o Adilson Akashi).

Cheguei ao local por volta das 13h e já haviam membros trabalhando em confecção de placas, discussão de projetos usando Arduino e demos de projetos de alguns membros com mais experiência no grupo (Felipe Flores, Allyson Rodrigues e Rafael Melo) sendo apresentadas. Todas as pessoas, independente do nível de conhecimento e/ou aprendizado com Arduino puderam aprender algo útil e levar informação nova para casa, pra mim esse foi o maior e está sendo o maior êxito das reuniões. #WIN 🙂

Demos de projetos apresentados

  • Controle de modos de lavagem de uma máquina via Arduino + Display LCD (Allyson Rodrigues)

Esse é um projeto que o Allyson Rodrigues, formado em Tecnologia em Sistemas Eletrônicos, vem tocando para implementação na própria empresa na qual ele trabalha. O objetivo é controlar vários modos de lavagem, e dosagem de componentes químicos a serem usados em cada lavagem via Arduino e display LCD, como modo de interface. Na foto acima o Prof.º Ricardo Pires mostrou exemplos para o pessoal presente de trechos de código e um pouco da API do Arduino usada.

  • Análise de movimento com acelerômetro e Processing, com envio de dados via ZigBee (Felipe Flores)

Esse é um projeto bastante interessante, guiado pelo Felipe Flores (em conjunto com o Rafael Melo), onde o objetivo é capturar as informações de posição espacial de um acelerômetro e enviá-las via comunicação sem fio (usando ZigBee) para o Processing (linguagem de programação baseada em Java com IDE, para criar ambientes gráficos e facilitar a integração com projetos eletrônicos). É possível visualizar as mudanças da posição do acelerômetro por um cubo 3D RGB. Uma das intenções desse projeto é futuramente servir como modelo para um sistema de monitoração de capacidade motora de deficientes, por exemplo. Mas para isso é preciso sincronizar mais de um acelerômetro e fazer a modelagem do membro a ser analisado em outra plataforma. O começo é promissor, achei bem interessante 🙂

Ecossistema Arduino e outros

Um dos pontos a ressaltar é que durante esse encontro não presenciei apenas o uso do Severino nas bancadas. Me deixou muito satisfeito ver que o pessoal levou outros modelos de placas, baseadas no projeto Arduino (além do Duemilanove que é o “clássico”), para trocar experiência sobre plataformas além do Severino, que a priori foi nossa escolha como projeto de baixo custo para indicar para uso no grupo. Abaixo algumas plataformas que vi:

  • Brasileirino (criado pela Globalcode, mas não sei se ainda é fabricado, há muito tempo não via um exemplar desses…rs): foi levado pelo Helton, Prof.º do SENAI e doutorando na USP. Foi a primeira reunião presencial que o Helton pôde estar presente e ele ficou bastante animado com as idéias. Pretendemos em futuro próximo ampliar a troca de conhecimento entre SENAI e IFSP, no que diz respeito a Arduino 🙂

  • MSP430 (Texas Instruments): Em conjunto com um amigo e outros alunos de Engenharia do Mackenzie fizemos a aquisição desse kit, mas ainda não chegou aqui no Brasil (comprei duas unidades). Tive contato então pela primeira vez, e para minha surpresa, neste encontro do grupo.

O William Antunes da Maia, aluno do tecnólogo de sistemas eletrônicos participou de um HandsOn da Texas Instruments sobre esse kit: ao fazer o curso ele ganhou o kit, um livro e conhecimento de como lidar e programar com ele (o valor do curso foi de R$150). O valor real do kit se comprado pela internet é de apenas $4.30, mais o custo de envio para o Brasil (por isso entrei na lista de pedido coletivo do Mackenzie 😉 ).

Você me pergunta: se a Texas vende esse kit, que seria um “rival” do Arduino a um custo muito baixo, então ele é “mil maravilhas”? A resposta é não. Para usar o kit é preciso ter uma licença de uma IDE proprietária da Texas e programas escritos usando linguagem C não podem ultrapassar o tamanho de 2K. Frente a esses fatos o Arduino ainda é o vencedor da disputa, mas é sempre ótimo estar em contato e ter conhecimento dessas novas plataformas de desenvolvimento de hardware 😉

Presença ilustre: Adilson Akashi, o criador do Arduino Severino! 🙂

Há algum tempo o Adilson Akashi, criador da placa Severino, faz parte da nossa lista de discussão e já desmontrava interesse em comparecer em uma de nossas reuniões. Mesmo sendo um ex-aluno da instituição encontrava na burocracia uma barreira para conhecer o trabalho de nosso grupo. Graças ao trabalho do professor Ricardo Pires e para nossa surpresa ele apareceu nesse nosso encontro de sábado 🙂

Foi muito bom poder trocar idéias, experiências de uso do Severino, conhecimento de técnicas de construção de layouts e truques de uso de Arduino com ele. Ele foi super gente boa, atencioso e se prontificou a ouvir as dúvidas de todos, e participou ativamente das atividades do dia. Muito bom foi ouvir as histórias e a vivência dele com a eletrônica, como conheceu o Arduino, como auxiliou na melhora da implementação e a sua atuação nos fóruns.

O bacana foi que na hora me surgiu a idéia de fazer uma entrevista com ele, e ele aceitou de bom grado 🙂 Para quem quiser ouvir o áudio na íntegra, ele se encontra abaixo, vale a pena ouvir as opiniões e experiência do Adilson Akashi:

Os presentes na reunião tiveram o privilégio de ver ao vivo o primeiro protótipo do Severino, feito pelo próprio Adilson, com a inscrição “Preliminary Beta Version”. Foi muito legal ver um hardware histórico, que cativou o trabalho do nosso grupo. Abaixo uma foto que tirei do “Severino número 1”:

Sessão de gravação de bootloader em Severinos

Perto do final da tarde o Felipe Flores, com auxílio do Prof.º Ricardo Pires e Adilson Akashi, fez uma sessão/demonstração de gravação de bootloader em Arduinos. Caso você compre um chip da ATmel para Arduino você precisará gravar um setor de boot antes de inserir os sketches (programas finais). O pessoal nas primeiras reuniões fez a parte de montagem, e nessa reunião gravamos bootloaders, portanto muitos saíram com os Severinos prontos para uso 🙂 Nas próximas reuniões acredito que entraremos de vez no modo programacional. Podemos fazer sessões de DOJO 😉

Conclusão

Essa quarta reunião do grupo foi proveitosa para todos: as pessoas que estavam lá para corroer as primeiras placas de Severinos, os que já estavam com as placas montadas, os que já puderam sair com elas 100% funcionais e todos por trocarem idéias e concepções acerca de projetos usando Arduino.

Os que sabiam mais compatilhavam de peito aberto as experiências com aqueles de menos experiência, enquanto esses não tinham vergonha ou timidez de indagar e buscar informações. É interessante ver que ao mesmo tempo cada reunião nos traz um grupo heterogêneo em níveis de conhecimento, temos sempre um grupo super homogêneo em termos de gana de saber, esse é o ponto mais importante.

Pela primeira vez pessoas de fora do IFSP participaram, desde o criador da placa Severino até o Helton, professor do SENAI, que prometeu prosperar com Arduino na instituição na qual ele trabalha, e trazer novos membros para o grupo, aumentando a integração entre as instituições. Isso fortalece o senso de comunidade e contribuição para com o conhecimento e mútuo.

Coloquei as fotos da reunião na minha conta do Picasa, confiram lá. Quem tirou fotos também envie para mim 😉

Espero que tenham gostado desse relato, e sintam-se a vontade para indagar sobre qualquer dúvida ou interesse em participar e fazer desse grupo. Acima de tudo, façamos o Arduino  cada vez mais difundido, seja como ferramenta auxiliadora no ensino ou como hobby 😉

Até mais!

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Arduino no IFSP: estudo, diversão e conhecimento

Caros amigos,

Há tempos que estou lendo e angariando conteúdo sobre Arduino (“O” hardware open source…rs), desde que soube da existência do mesmo pela Revista Info e pelos eventos da Globalcode. Hoje meu blog conta com uma categoria só para ele 😉

Acho que poucos sabem, mas apesar de ter trabalhado na área de teste de software e hoje atuar como desenvolvedor Java (e “enganando” também no Ruby :p ) sou Tecnólogo em Sistemas Eletrônicos pelo IFSP (“eita cara enrolado sô”…rs). Sim, eletrônico. E gostei muito do curso, tanto que até hoje tem muita coisa em eletrônica que me fascina, dentre elas o Arduino.

“Arduino = hardware+software+programação (C, C++, Java[!], Ruby [!!], etc.)+eletrônica. Diversão completa 🙂 “

Fazia algum tempo que, depois de conhecer o Arduino, tive a idéia de procurar algum meio de compartilhar/disseminar conteúdo, sem ser em posts/artigos apenas. E na instituição de ensino que me formei sentia uma lacuna em termos de existência de algum kit de eletrônica, para a parte prática, que estivesse alinhado com as coisas mais atuais da área (como DSP‘s, FPGA‘s entre outros).

Um dos primeiros passos dados por mim (isso no começo desse ano de 2010) foi a aquisição de um kit Program-Me da Globalcode, que tem um custo/benefício e um set de funcionalidades bem maior que o kit duemilanove (o Arduino original), por exemplo. É uma boa aquisição para quem quer fazer alguns testes, não tem muito conhecimento de “eletrônica mão na massa” ou é “hard user” realmente.

Por meio dele, e de algum conhecimento prévio, passei a me contatar com um dos meus professores de graduação, o Ricardo Pires, a respeito do assunto e “trocando figurinhas”. Acredito que fui um dos responsáveis por abrir a mente dele também (P.S. : ele também comprou um Program-Me 😉  ). Por intermédio dele a entrada do conceito do Arduino no IFSP poderia virar realidade, e eu estaria contribuindo com meus 2 cents para a melhoria da didática de ensino prática de eletrônica 🙂

A origem do “Arduino no IFSP”

Foi aí que em conjunto com o professor Ricardo Pires, que após tomar ciência da existência do Arduino e suas possibilidades de ser aplicado no aprendizado, decidimos criar uma lista de discussão e compartilhamento de informação sobre Arduino, que no final culminou também com a criação do grupo Arduino no IFSP.

As principais atividades (seja da lista de discussão ou presenciais) são:

  • Compartilhamento de informações sobre Arduino em geral;
  • Mutirões de construção de placas;
  • Divulgação de experiências que o pessoal executa com a plataforma Arduino;
  • Confecção ou divulgação de material abrangendo teoria e/ou informações/posts/artigos sobre o assunto.

Em 4 meses de existência já temos 35 membros no grupo, que pertencem aos cursos de:

  • Técnico de eletrônica;
  • Tecnologia em sistemas eletrônicos;
  • Tecnologia em automação;
  • Engenharia de automação e controle;
  • Ex-alunos desses cursos (estou nesse grupo).

A assimilação do conceito de hardware aberto, uso de microcontroladores e desenvolvimento com uma IDE “user friendly”, documentação e material vasto na internet para projetos entre outros fatores foi cativante para o pessoal gostar da idéia 🙂

Partindo desses princípios tratamos de organizar na lista as idéias existentes  e como seriam as reuniões presenciais. Logo surgiu a idéia do mutirão de placas como “pontapé inicial” no compartilhamento de conhecimento de Arduino…

1ª reunião do grupo: mutirão para confecção de placas Severino

A nossa primeira reunião presencial foi um mutirão para confecção de placas do Arduino Severino.

Escolhemos esse modelo por ter um custo bem baixo (cerca de 16 reais tudo, menos o microcontrolador ATMega, que fica a gosto do fregues…rs) e ser de fácil construção. O revés é o acesso a programação do microcontrolador ser via serial e não USB (para nós o modelo com USB seria mais caro e complicado para a solda manual de alguns componentes SMD…mas nada que um conversor “serial -> usb” não auxilie 🙂 ).

Nesse primeiro mutirão tivemos a meta de confeccionar as placas de circuito impresso para futura soldagem dos componentes. O objetivo do grupo agora, ligado ao hardware, é produzir placas finalizadas para uso e aplicação em projetos de estudo. Posteriormente teremos o início do aprendizado do software, a programação em si.

Abaixo algumas fotos do encontro:

1º encontro Arduino no IFSP

E o saldo dessa reunião foi de quase 80 placas corroídas e que já foram furadas, algumas já foram montadas por alguns membros do grupo, outras serão montadas em um segundo mutirão. Algumas já estão sendo usadas para alguns projetos acadêmicos do pessoal. Falando em segundo mutirão…

2ª reunião do grupo: mutirão para soldagem e finalização do hardware do Severino

Nesses dias finalizamos a data para o segundo encontro presencial do pessoal, que será um novo mutirão, dessa vez para finalização das placas (soldagem dos componentes), colocando mais Severinos prontos para uso e aprendizagem.

A data será 14/08/10, no próprio IFSP no setor de eletrônica.

Mas e o “pessoal de fora” da instituição, não pode participar?

Como a instituição é federal, e só estão permitidas as entradas de alunos e ex-alunos para as atividades (burocracias a parte…) a participação de membros de fora nas reuniões presenciais dentro do IFSP por enquanto não é possível. Ainda estamos pensando em novos locais, e como o número de pessoas que não tem vínculo com a instituição é mínimo, não levamos muito a sério a questão…rs (quem sabe com esse post tenhamos mais colaboradores 🙂 ).

Resultados até o momento, gerados pelo grupo

O legal da iniciativa é que já está sendo útil para muitas pessoas e “dando frutos”, gerando resultados em conhecimento e estudo. Como exemplo posso citar algumas pessoas do grupo:

  • Rafael Melo (conhecido como “Valdívia”…rs): terminou o curso de Tecnologia em Sistemas Eletrônicos (uma turma depois da minha), e começou o mestrado em automação. O projeto do mesmo envolve controle sem fio de células de trabalho em chão de fábrica usando Arduino. Já usa o Severino construído no grupo com sucesso 🙂 ;
  • Prof.º Ricardo Pires: após conhecer o mundo mágico do Arduino está estudando mais a fundo a plataforma e pretende usar o mesmo como ferramenta de ensino em algumas turmas do ensino técnico de eletrônica e engenharia em automação. Pretende criar um live-cd (Linux é claro!) com um ambiente contendo ferramentas para desenvolvimento e apostilas de estudo sobre Arduino. Já comprou um kit de hardware (par de shields, módulos) para transmissão sem fio via ZigBee para Arduino;
  • Felipe Flores:  domina a arte do bootloader do Arduino para ATMega (rs). Esta usando o Severino construído no grupo com sucesso e tem demos de uso do Severino em vídeo (!) transmitindo dados via ZigBee, usando o kit do professor Pires.

Abaixo alguns vídeos gravados pelo Felipe Flores, usando ZigBee, Severino e Program-Me:

Atualizado em 21/09/10: Mais um novo vídeo do Felipe Flores:

E eu estou junto no aprendizado com esse pessoal que é fera! Estou pensando em adquirir o livro “Practical Arduino: Cool Projects for Open Source Hardware“, indicado pelo professor. Se alguém tiver mais alguma sugestão de bibliografia favor indicar!

Interessado em participar?

Se você se interessa por computação física, Arduino, eletrônica e programação, temos a lista de discussão do grupo. Se já teve alguma participação no desenvolvimento de Arduino (software ou hardware) com o kit Severino compartilhe conosco!

Finalizando…

Acredito que eu consegui expressar o meu feedback por meio deste post sobre as experiências que venho tendo e o compartilhamento de conhecimento com o pessoal do grupo de estudos sobre o Arduino. É uma experiência bem legal, agregadora, e que está contribuindo para meu portifólio de conhecimento (mesmo não usando profissionalmente o Arduino) e do pessoal da instituição, que está a conhecer esse panorama, bem atual, do mundo da eletrônica.

Obrigado por ler até aqui (se você leu o post completo, é claro :p) e aguarde futuros feedbacks sobre o assunto.

Até mais!

Atualizado em 01/08/10, as 22h25: irá ser lançado em breve um documentário sobre o Arduino, nesse segundo semestre de 2010. “Arduino: The Documentary” já tem um trailer que pode ser visto no Vimeo. Para mais informações, acompanhe as novidades no site oficial.

HTC Evo 4G – Uma análise rápida…

Pessoal,

Ontem estive no 4º Bate Papo do SP-GTUG (confiram o post de divulgação no Globalcoders, escrito por mim…rs) onde os assuntos principais foram Java no Google App Engine (@rafanunes) e as novidades do Google I/O 2010 (@robsondantas). Em breve irei escrever sobre o evento (estou aguardando a liberação das apresentações dos palestrantes e mais fotos).

Mas, se não vou falar sobre o encontro agora vou falar sobre o que? Vou falar sobre Android, um dos meus atuais temas preferidos de pesquisa e discussão!

Ontem tive a oportunidade de analisar nas minhas próprias mãos o celular mais poderoso do momento com a plataforma Android: o HTC Evo 4G. O Robson Dantas, palestrante de ontem e que teve a oportunidade de participar do Google I/O teve a grata surpresa de ganhar o aparelho como cortesia da operadora americana Sprint, que fez uma parceria com o Google para o evento.

Junto com o HTC Evo ele ganhou o Google Nexus One, já prometido como parte dos “brindes” da inscrição/participação. Nada mal para um evento de 400 “doletas” (INVEJA ON) 😉

Abaixo vou colocar algumas observações acerca do aparelho, que impressiona mesmo…

Review

Não vou escrever um review completo do aparelho, pois muitos outros existem e existirão. Apesar do aparelho só ser lançado no dia 04 de Junho de 2010 (e eu já ter feito  parte de uma minoria que já analisou o aparelho antes de muita gente…rsrs), eu indico 3 referências para aqueles que queiram ver mais a fundo o que esse “monstro” pode fazer:

Há informação suficiente sobre o assunto e muito detalhada. Deleitem-se!

Vantagens e Desvantagens

Abaixo os pontos relevantes levantados por mim, acerca do que pude ver/analisar em cerca de 15~20 minutos com o aparelho em mãos.

Vantagens

  • O aparelho É RÁPIDO! 🙂
  • O aparelho É MUITO RÁPIDO! 🙂 🙂
  • O chip SnapDragon de 1Ghz + 512Mb de RAM fazem MUITA diferença na performance do aparelho. Imagine rodando a versão 2.2 do Android (vem com a versão 2.1)…
  • A tela de 4.3′ tem uma definição de cores e resolução das imagens excelente;
  • A interface HTC Sense trouxe boas impressões: é mais legal e bonita que a interface do “Android cru” (Non HTC Sense, MotoBlur, SonyEricsson UX e similares);
  • Tem mais áreas de trabalho nativas (no Evo são 7 áreas de trabalho, contra 3/5 da interface do “Android cru”);
  • Saída HDMI para ver vídeo em alta resolução na sua TV (!);
  • O aparelho reproduz vídeo em até 720p de qualidade (máximo valor que os vídeos do youtube permitem executar);
  • Tem uma “perna retrátil” que pode colocar o Evo em posição de porta retrato, facilitando a visualização de vídeos;

Desvantagens

  • Só funciona na rede WiMax/4G americana (não temos essa tecnologia por aqui ainda…);
  • É CDMA, portanto não vai funcionar no Brasil 😦 Quem sabe não saia em breve uma versão GSM…
  • Eu achei grande as dimensões do aparelho, apesar de não ser tão pesado;
  • É preciso usar alguma vestimenta que tenha um bolso de no mínimo 15×10 cm. (alturaxlargura) para carregá-lo com conforto…

Fotos e Vídeos

Disponibilizo aqui algumas fotos e vídeos que fiz com o meu “humilde” HTC Magic (Android 1.6 e câmera de 3.2 megapixels). Agora toda vez que olho pra ele tenho uma ponta de desdém…rs.

HTC EVO 4G é forte candidato ao título de melhor telefone celular

4º Bate Papo do SP-GTUG – Globalcode

Finalizando…

Esse aparelho é muito bom mesmo (tirando o tamanho…)! Ele vem pra ser o melhor modelo de Android do mercado, juntamente/rivalizando com o seu “irmão menor” (somente no tamanho) HTC Incredible. Se você me perguntasse qual modelo eu adquiriria eu diria que um Google Nexus One, pelas facilidades de desbloqueio, hacks disponíveis e preço do aparelho, além da real atualização para a versão 2.2 que os aparelhos vem recebendo.

O Robson infelizmente já vendeu o Nexus que ele trouxe do I/O, e que eu estava de olho 😦 😦 😦 😦  Mas oportunidades não faltarão 🙂

É isso aí! Espero que vocês tenham gostado desse review bem simples do aparelho, que por ora não está aqui no Brasil em versão GSM.

Até mais e aguardo opiniões, comentários, dúvidas e sugestões!

[Download] – Guia de referência rápida para Arduino

Achei muito interessante e estou divulgando por aqui. Participo agora de um grupo de estudos no instituto onde me graduei (IFSP) e em alguns sábados estarei dedicando algumas horas para melhorar o entendimento do Arduino. Fica abaixo a dica, retirada do site quicklycode.com.

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Arduino is a tool for the design and development of embedded computer systems, consisting of a simple open hardware design for a single-board microcontroller, with embedded I/O support and a standard programming language. An Arduino is programmed using the Wiring language, which is essentially C++ with a few simplifications. The Processing programming language is often used to interface a computer with an Arduino, often to create unorthodox interfaces.

Revista PC&Cia agora é gratuita para download

Agora uma das maiores publicações brasileiras em termos de Hardware, Sistemas Operacionais, Notícias, Análise de Produtos, Telecomunicações, Mobile, Manutenção, Periféricos, Administração e Segurança de Sistemas / Redes está sendo disponilizada integralmente no formato digital (pdf). A revista é a PC & CIA.

Abaixo coloco alguns trechos retirados da página explicativa da revista, falando acerca das novidades:

“Nossa intenção é disponibilizar grátis a revista completa em PDF, mudando o nosso modelo de negócio para uma revista custeada pelas publicidades. A revista continuará a ser editada impressa em papel para àqueles que ainda prefiram, mas terão de pagar por isto.
Em vista da PC & Cia ser a única revista técnica de informática remanescente no mercado brasileiro que continuará impressa em papel e será disponibilizada gratuitamente sua edição Freemium, procuramos e conseguimos apoio de diversas empresas e entre elas, das maiores do mercado mundial para apresentar o projeto da edição Freemium ( Free + Premium ) da revista PC & Cia. Com isto oferecemos para os anunciantes em 2.010, além dos leitores da edição impressa em papel outros da edição digital em PDF que ultrapassam 300.000 downloads e por um preço de tabela menor do que 2.009. O nosso custo por mil leitores passa a ser imbatível.”


Perfil do leitor de PC & Cia:
– 50,2 % Profissionais de Serviços de TI, Integradores, Analistas, Técnico de Suporte de Hardware e Software
– 17,0 % Administrador de Sistemas plataforma Windows e Linux
– 22,0 % Universitários, Usuários Avançados e Professores
– 10,8 % Consultor de TI

Interessado nas áreas de abrangência e no conteúdo da revista? Acesse a página principal e a seção de downloads dos exemplares! Achei de grande valor e desde já parabenizo a revista pelo posicionamento e nova estratégia de participação no mercado.

Giz Explica: Por que cada país possui um maldito plugue diferente

Artigo esclarecedor e autêntico, retirado do site Gizmodo Brasil. Como vamos passar por mudanças e padronização dos plugues aqui no Brasil, não custa nada saber o porque de toda essa “salada” que existe nos dias de hoje, em termos de alimentação elétrica.

Tá, não exatamente todos os países são diferentes, mas com pelo menos 12 soquetes distintos em amplo uso pelo mundo (e um prestes a ser adotado quase que exclusivamente pelo Brasil), a sensação é exatamente esta para qualquer um que faça viagens internacionais. Então por que raios existem tantos? A história é engraçada.

Quanto mais você olha para a terrível orgia de plugues pelo mundo, mais besta ela parece. Se você compra um carregador de celular em um aeroporto na Flórida, você não poderá usá-lo quando o seu voo aterrissar na França. Se você comprar um adaptador de três pinos para le portable em Paris, é possível que você não consiga plugá-lo quando o seu trem deixá-lo na Alemanha. E quando o seu voo finalmente der uma paradinha em uma pista de Londres, prepare-se para comprar um adaptador comicamente enorme para conseguir acesso à rede elétrica de lá. Mas isso é legal! Afinal, você pode levar este mesmo adaptador com você pra Cingapura! E para algumas partes da Nigéria! Ah, sim, e se este adaptador não suportar nativamente 240V, certifique-se de comprar também um conversor, senão é capaz de ele explodir.

E fora alguns oásis, como a incipiente padronização do Europlugue Tipo C dentro da União Europeia, isto é só uma palhinha do que ocorre pelo mundo todo.

Eu hesitaria ao me referir a soquetes de energia como algo que faz parte da cultura de um país, afinal, eles são apenas plugues e não significam absolutamente nada. Mas, considerando o fato de que eles não mudarão até serem forçosamente substituídos por algo inteiramente novo, eles são basicamente isso mesmo.

O que há por aí

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Existem aproximadamente 12 principais tipos de plugues em uso atualmente, cada um designado seja lá pelo nome que os países que os adotam preferem. Para fins deste post, vamos ficar com os nomes do Departamento de Comércio dos EUA (PDF), organizados bonitinho de maneira alfabética: os EUA usam plugues ‘A’ e ‘B’! A Turquia usa tipo C, etc. Acontece que estes nomes são inteiramente arbitrários: as letras são designadas para tornar a conversa sobre estes plugues menos confusa – elas não subentendem absolutamente nada. Elas não são padrões no sentido literal da palavra.

E pior, estes soquetes são divididos em dois grupos principais: os camaradas 110-120V, como os que se usam na América do Norte e em diversas cidades brasileiras, e os plugues 220-240V, como a maior parte do restante do mundo usa. Mas não exatamente os plugues e soquetes em si que estão atados a uma determinada voltagem e sim os aparelhos e as redes elétricas às quais eles se conectam que provavelmente o são.

Como isto aconteceu

A história da divisão de voltagens é bastante curta e sobre a qual você provavelmente já ouviu algumas partes antes. Os primeiros experimentos de Thomas Edison com a corrente contínua (CC) no final do século XIX resultou nas primeiras aplicações úteis de larga escala para a eletricidade, mas sofreu com a tendência de se perder voltagem ao longo de grandes distâncias. Quando Nikola Tesla inventou um meio de transmissão de longa distância com a corrente alternada (CA), ele fez isso com o intuito de concorrer diretamente com a tecnologia de Edison, que por acaso se baseava nos 110V. E ele insistiu neste valor. Quando as pessoas começaram a perceber que energia a 240V talvez não fosse uma ideia tão ruim assim para os EUA, já era meados da década de 1950 e mudar o sistema estava completamente fora de questão.

Palavras foram trocadas, elefantes foram eletrocutados e, com o tempo, o debate foi resolvido. A energia CA era a única opção e a padronização nacional estava a todo vapor. A Westinghouse Electric, a primeira empresa a comprar a patente de Tesla para transmissão de energia, estabeleceu-se com um padrão fácil: 60Hz e 110V. Na Europa – mais especificamente, na Alemanha – uma empresa chamada BEW exerceu o seu monopólio para forçar a barra um pouquinho mais. Eles definiram arbitrariamente a frequência de 50Hz, mas o mais importante, elevaram as voltagens para 240V porque, você sabe, isto significa MAIS ENERGIA. E assim o padrão 240V lentamente se espalhou pelo restante do continente. A propósito, tudo isto ocorreu antes da virada do século, então é uma rixa antiga.

Durante décadas após os primeiros padrões, os mais modernos aparelhos elétricos precisavam ser acoplados diretamente à fiação da sua casa, o que hoje soa como uma ideia terrível. E, pensando bem, era mesmo: o “Plugue de Acoplagem Separável” de Harvey Hubbell – que essencialmente permitiu que aparelhos sem lâmpada pudessem ser plugados em um soquete de luz para obter energia – foi projetado com um intuito simples:

A minha invenção tinha o objetivo de eliminar a possibilidade de abrir arco ou faiscação ao se fazer uma conexão, de modo que a energia elétrica nas construções pudesse ser utilizada por pessoas com nenhuma habilidade ou conhecimento elétrico.

Valeu, Harvey! Ele mais tarde adaptou o design original para incluir um plugue de dois pinos chatos, que então foi refinado até tornar-se um plugue de três pinos – o terceiro pino para aterramento – por um cara chamada Philip Labre em 1928. Este design também sofreu algumas mudanças ao longo dos anos, mas é basicamente o usado pelo pessoal da América do Norte e em muitos aparelhos eletrônicos no Brasil.

Mas veja bem: histórias como a do plugue de Harvey Hubbell estavam rolando por todo o mundo, cada um com a sua própria distorção do conceito. Isto foi antes dos eletrônicos serem globalizados e antes da compatibilidade de plugues entre países passasse a ser um problema. O debate da voltagem foi reduzido a apenas dois (aproximadamente) valores, o que facilitou o estabelecimento das empresas mundo afora. Mas uma vez que elas foram estabelecidas, quem se importava com o estilo do plugue que seus consumidores usavam? Afinal, quem iria trazer seu novíssimo aspirador de pó de barco para cruzar o oceano? Os primeiros esforços para padronizar o plugue pelas organizações como a Comissão Eletroctécnica Internacional (IEC) foram risíveis: quem eram eles para ditar a um país que plugue deveriam adotar? E o pouco progresso que eles de fato conseguiram foi definitivamente estilhaçado pela Segunda Guerra Mundial.

[Observação: existem tecnicamente mais de duas voltagens em uso. O leitor Michael explica que até o início do século XXI, havia quatro voltagens distintas: 100V (Japão), 240V (Grã-Bretanha e antigas colônias, exceto o Canadá), 110/117/120/127V (seja lá o que for – América do Norte e partes do Brasil) e 220V (o resto do mundo).
No entanto, na década de 80, a Europa e a Grã-Bretanha iniciaram um processo de harmonização e estabeleceram o padrão de 230V. Ainda não chegaram lá e vão demorar um bocado até modificarem tudo, mas este é o plano.

As antigas colônias permanecerão com os 240V. A América do Norte ainda gosta dos seus 110/117/120/127V e o Japão não deixará pra trás os seus 100V por um bom tempo. Ou seja, quem projeta produtos para vendas internacionais precisa lidar com 100/120/220/230/240 volts. Para alguns produtos, como lâmpadas halógenas ou de tungstênio, a diferença entre 220 e 230V é mais do que o suficiente para resultar em uma vida útil significativamente reduzido. E, é claro, tem os 267V em algumas partes do interior da Austrália, sendo que as condições intermediárias pelo restante do mundo só complica ainda mais a tarefa. (A vida útil de uma lâmpada é mais ou menos inversamente proporcional à sua voltagem elevada à 12ª potência. Assim, uma lâmpada 220V em uma rede 230V duraria somente 3/5 do tempo que uma de 220V duraria. É por isso que nos EUA deve-se usar lâmpadas de 130V nos locais onde queremos que ela dure muito tempo.]

Pegue o plugue britânico. Hoje, ele é um monstrengo gigante de três pino com um fusível dentro dele – um dos plugues mais bizarros do mundo para qualquer um que teve a oportunidade de usá-lo. Mas este não foi o primeiro plugue da Grã-Bretanha, nem mesmo o primeiro plugue proprietário deles. No início do século XX, os fios das Ilhas terminavam com o Padrão Britânico 546, ou hardware Tipo D, que na verdade incluía seis versões menores de si mesmo, todos eles fisicamente incompatíveis um com o outro. Isto funcionou muito bem até a Segunda Guerra Mundial, quando eles foram arregaçados pelas bombas alemãs e precisaram reconstruir setores inteiros do país em meio a uma grave escassez de suprimentos básicos de construção – cobre, em particular. Com isto, refazer a fiação das coisas passou a ser uma proposta cara, então o governo foi taxativo: “precisamos de um novo plugue, urgente!”

Eis o raciocínio: em vez de passar um fio de cada tomada para a caixa de fusíveis em alguma parte da casa, o que necessitaria de um bocado de fiação, por que não juntar tudo em um único fio e colocar os fusíveis em cada plugue? Prontinho, resolvida a escassez de cobre. Este foi chamado de Padrão Britânico 1363 e você pode vê-los dependurados dos fios dos aparelhos hoje. Note como nas décadas de 1940 e 50 – praticamente ontem! – o Reino Unido estava arquitetando um novo tipo de plugue sem nenhuma consideração com o resto do mundo.

Agora imagine todos os demais países desenvolvidos do mundo fazendo a mesma coisa, com um conjunto totalmente diferente de circunstâncias históricas. Foi assim que chegamos onde nos encontramos hoje, explodindo fusíveis dos nossos quartos de hotel em Paris porque os avisos de voltagem dos nossos adaptadores de viagem estavam inexplicavelmente escritos em cirílico. Ah, e o negócio fica ainda pior.

Sabe como foi que os britânicos controlaram a Índia por uns 90 anos? Bem, além de exportar o críquete e provocar imensurável dano cultura, eles mostraram ao subcontinente como plugar as coisas, mas do jeito britânico! O problema é que eles saíram de lá em 1947. O plugue Padrão Britânico 1363 – o novo só foi introduzido em 1946 e só foi bastante difundido alguns anos mais tarde. Ou seja, a Índia ainda usa o plugue britânico antigo, assim como Ceilão (antiga Sri Lanka), Nepal e a Namíbia. Basicamente, a melhor maneira de acertar quem ficou com qual soquete é dar uma lembrada nas suas aulas de História da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais e sofrer de uma profunda paixão por literatura pós-colonial. É sério.

Existe alguma esperança para o futuro?

Não. Eu conversei com Gabriela Ehrlich, chefe de comunicação da Comissão Eletrotécnica Internacional, que ainda executa lá as suas tarefas na Suíça, e o prospecto não é nada animador. “Existem padrões e um plugue que foi projetado. O problema, na verdade, é que todo mundo investiu no seu próprio sistema e é difícil fugir disto”.

Quando a Comissão de Questões Internacionais holandesa se juntou pela primeira vez com a IEC para formar um comitê para falar sobre este exato problema em 1934, as reuniões foram postergadas, houve um bocado de resistência, blábláblá, e o comitê foi protelado até 1940. Daí uma guerra – uma Guerra Mundial, diga-se de passagem – enfiou uma vareta entre os raios da roda do comitê (ou seria um garfo no soquete?) e o assunto foi definitivamente esquecido até mais ou menos 1950, quando a IEC percebeu que havia “perspectiva limitada para qualquer acordo até mesmo nesta limitada região geográfica (Europa)”. Seria muito caro descartar os soquetes de todo mundo e, suponho, aparentemente isto não era tão urgente assim.

Além disso, a IEC não pode obrigar ninguém a fazer nada – ela é mais ou menos como a Assembleia Geral da ONU para padrões eletrônicos, o que significa que eles podem até defini-los, mas ninguém precisa segui-los, independente de quão bons eles forem. Conforme o tempo passava, as populações cresciam e centenas de milhões de soquetes foram instalados por todo o mundo. A ideia de trocar o hardware passou a ficar cada vez mais estapafúrdia. Quem pagaria o pato? Por que um país quereria mudar? E o ínterim, com padrões mistos de plugues dentro do mesmo país, não seria perigoso?

Mas a IEC não abandonou as esperanças, silenciosamente tentando forçar um plugue padrão durante décadas adiante. E eles até bolaram alguns! No final da década de 80, eles criaram o IEC 60906, um plugue pequeno e de pinos redondos para países com 240V. Daí eles codificaram um plugue de pinos chatos para países com 110-120V, o que acabou sendo perfeitamente compatível com o que já se usa nos EUA. Até hoje, o Brasil é o único país no mundo a adotar o IEC 60906, então não temos muito o que dizer sobre isso. [PB: Mais exclusivamente sobre isso em outro post]

Eu perguntei à Gabriela se havia alguma esperança, qualquer esperança, de um futuro no qual os plugues se entendessem:

Talvez no futuro tenhamos carregamento por indução: você terá um aparelho acoplado à sua parede e um mecanismo de carregamento sem fio.

A última vez que vi um protótipo de energia wireless foi no Fórum dos Desenvolvedores Intel, em 2008, e ele parecia um projeto de feira de ciências. Consistia em duas gigantescas bobinas, posicionadas apenas a alguns centímetros uma da outra, que transmitia eletricidade suficiente para acender uma lâmpada de 40W. Então sim, um dia teremos este problema do plugue resolvido, mas isto será em, errr….digamos….2050?

Ela teve o cuidado de enfatizar que os padrões ainda existem para as pessoas poderem adotar, então os países poderiam todos entrar na onda, mas mesmo no melhor dos casos, enquanto usarmos fios teremos pelo menos dois padrões com os quais lidar: um plugue chato 110-120V e o plugue redondo 240-250V. Por ora, a Comissão está fazendo a abordagem mais prática para lidar com o problema, emitindo especificações para coisas como fontes de energia de laptop, que lidam com ambas voltagens e vêm com fios intercambiáveis, além de algo bastante caro aos nossos corações: “Precisamos avançar ao ponto de termos plugues que realmente possamos controlar”, me disse Gabriela. Ela quis dizer coisas novas como USB, que está se tornando o padrão de facto de carregamento de gadgets. O máximo que podemos esperar é um futuro no qual as tomadas de corrente alternada são invisíveis a nós, transmitindo energia e plugues novos e mais universais. O meu telefone será recarregado via USB tão bem na África Subsaariana quanto em São Paulo; basta me fornecer a porta.

Enquanto isso, esta história significa que as coisas realmente não vão mudar. O seu barbeador elétrico ainda vai morrer se você plugá-lo em uma tomada europeia com um simples adaptador, os indianos ainda se lembrarão do Império Britânico toda vez que plugarem um laptop, Israel ainda terá o seu próprio plugue que não funciona em nenhum outro lugar do mundo e El Salvador, sem nenhum padrão nacional, continuará brigando consigo mesmo e seus 10 tipos diferentes de plugues.

Em outras palavras, foi mal, mas o futuro é sombrio.

Agradecimento especial a Gabriela Ehrlich e à IEC, além do Instituto de Engenharia e Tecnologia e os Assuntos de Fiação (PDF) e a iluminada review da USC Viterbi. Mapa adaptado da Wikimedia Commons pelo estagiário Kyle.

Por um Android mais livre

Artigo retirado do site GuiadoHardware.net.

Jonathan Corbet
26/10/2009

Toward a freer Android
Autor original: Jonathan Corbet
Publicado originalmente no:
lwn.net
Tradução: Roberto Bechtlufft


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As plataformas para celulares baseados em Linux não passam de distribuições especializadas. Como acontece com outras distribuições, o sucesso ou o fracasso das plataformas para telefones depende delas conseguirem atender às necessidades de seus usuários. O Android é uma plataforma de grande destaque no momento, resultado da entrada de mais dispositivos portáteis no mercado e também das ações tomadas pelo Google em relação às distribuições derivadas dessa plataforma. Está claro que no momento o Android não atende às necessidades de todos os seus usuários, mas há mudanças em andamento que podem melhorar essa situação.

A poeira levantada pelo Google ao embarreirar o mod Cyanogen para telefones com o Android já baixou. Não dá para contestar a afirmação do Google de que o Cyanogen estava redistribuindo software proprietário de formas não permitidas pela licença. Mas várias pessoas contestaram o bom senso do Google; afinal, esses aplicativos podem ser baixados de graça em outros lugares, e só podem rodar em telefones que já vieram com uma cópia incluída. Logo, impedir sua redistribuição não traz muitas vantagens (se é que traz alguma) ao Google, e essa atitude foi um balde de água fria nas comunidades de entusiastas que promoviam o Android e tentavam aperfeiçoá-lo. Agora essas comunidades estão tentando se reagrupar e continuar com seus trabalhos, mas as regras do jogo mudaram.

Há tempos, Jean-Baptiste Queru tem sido o representante do Google mais amigo da comunidade; é evidente que ele passa bastante ajudando os outros desenvolvedores a trabalhar com o Android. Agora ele é a peça central de uma tentativa de transformar o AOSP (ou “Projeto de Código Aberto Android”) do Google em um projeto merecedor desse nome. Jean-Baptiste descobriu (meio atrasado, diga-se de passagem) qual é um dos principais obstáculos para quem deseja contribuir com a plataforma: a dificuldade de botar para rodar as alterações feitas por essas pessoas.

    O alvo principal do Android são os telefones. Isso significa que, no fundo, no fundo, permitir que os desenvolvedores façam sua parte implica em grande parte em permitir que o Projeto de Código Aberto Android seja usado em telefones. E não estou querendo dizer apenas que deve ser possível compilar e inicializar o Android neles, mas sim que é preciso que ele possa ser utilizado em um telefone no dia a dia. E no momento, isso não é possível. A variedade de aplicativos é muito limitada, nem todos os aplicativos funcionam e há algumas probleminhas esquisitos no sistema.
    Também não faz sentido esperar que todos os contribuidores tenham que aplicar o mesmo conjunto de patches manuais para obter um estado funcional básico. O certo seria o Projeto de Código Aberto Android funcionar de primeira em hardware mais difundido.

Qualquer um que já tenha tentado compilar e instalar o Android sabe que isso não é o que acontece hoje. Parte do problema está no enorme tamanho e complexidade da plataforma Android como um todo; e não há muito que se possa fazer nesse sentido. Mas até os donos daquele modelo de telefone voltado para os desenvolvedores do Android (o Android Developer Phone, ou ADP1), que obviamente esperavam poder desenvolver aplicativos para seus telefones, têm que conseguir um conjunto de componentes proprietários e incorporá-los ao pacote todo. Sem falar no problema dos aplicativos proprietários. Um Android totalmente livre não tem mapas, gmail e agenda, nem os aplicativos do Android Market ou os back-ends de sincronização que mantêm o sistema atualizado com a nave-mãe. Não dá para se virar com uma versão dessas em um telefone usado no dia a dia.

De acordo com Jean-Baptiste, é bom começar pelo hardware em que o Android funciona com facilidade: o ADP1, obviamente. Depois que os problemas com o hardware forem superados, pode ser uma boa ideia começar a conversar sobre os aplicativos que estão faltando. Mas até que os desenvolvedores possam criar com facilidade uma versão que rode em um telefone de verdade, não faz muito sentido se focar em objetivos maiores. Com a iminente chegada do AOSP 1.0, parece que a etapa preliminar está prestes a ser concluída.

Não deve ser tão difícil resolver os outros problemas. Se o aplicativo do gmail não for disponibilizado, dá para ler email por IMAP — e isso pode inspirar alguns a aperfeiçoar o aplicativo de email duro de engolir que vem com o Android. Há muita gente interessada em utilitários gratuitos para mapas, incluindo ferramentas como o AndNav, que tem potencial para superar o programa de mapas do Google. O AndNav funciona com dados do OpenStreetMap e faz navegação curva a curva, algo que a ferramenta do Google provavelmente nunca será capaz de fazer. O SlideME é oferecido como substituto gratuito ao Android Market. E por aí vai.

A parte mais difícil talvez inclua as ferramentas que exigem sincronização com os serviços do Google; esses protocolos nem sempre são abertos. Já ficou claro que o Projeto de Código Aberto Android, hospedado no Google, não vai hospedar software desenvolvido para protocolos que tenham sofrido engenharia reversa. Logo, se o Google continuar se recusando a disponibilizar os back-ends do gmail, da agenda e do Android Market, esses aplicativos simplesmente não serão suportados nas versões livres. É claro que nada impede a implementação de aplicativos que se sincronizem a serviços hospedados em outros lugares.

Outra área em que a presença do Google se faz notar no projeto é na licença:

    A (L)GPL 3 está completamente fora de questão — a indústria de celulares tem tanto medo dela que todo o ecossistema do Android seria prejudicado se código com essa licença entrasse no Projeto de Código Aberto Android.

A GPL 2 talvez possa ser permitida em componentes novos, mas dado o esforço que o Android vem fazendo para evitar software licenciado por ela, acho que vai ser difícil.

Quem procura por um projeto mais independente pode se interessar pela Open Android Alliance, que está tentando criar uma versão totalmente gratuita do Android, sem a participação do Google. A página do projeto (hospedada, ironicamente, no Google Code) afirma que os novos trabalhos serão licenciados sob a GPL 3. Parece que os desenvolvedores da OAA não estão atados à GPL 3, mas certamente há desenvolvedores que gostariam de ver alguma licença de copyleft ser usada. Se o Google não ajudar e eles tiverem que reimplementar os aplicativos, dizem eles, o certo é que o Google não possa usar o código deles e distribuí-lo em outros aplicativos proprietários.

A Open Android Alliance tem vários desenvolvedores que supostamente estão trabalhando em diversos aspectos desse problema. Mas parece que ele não têm uma lista de discussão e nem disponibilizam código algum para download. O projeto nasceu recentemente, e sua viabilidade a longo prazo ainda não pode ser determinada.

O que está claro é que as pessoas levam a sério a ideia do “telefone aberto”. Não basta jogar um monte de código em um servidor git online; muita gente quer esmiuçar os dispositivos que possui. O Google talvez esteja começando a perceber isso, embora venha tendo problemas para equilibrar a pressão da comunidade de desenvolvedores, das operadoras de celular, dos fabricantes de hardware e de seus próprios advogados. Ainda não ficou claro se essa percepção vai se traduzir em um nível de abertura suficiente no projeto Android, mas parece que as coisas estão tomando o caminho certo.

Pelo visto, a possibilidade do Linux “dominar o mundo” no mercado de telefones está ao nosso alcance. Mas quais distribuições Linux vão participar desse sucesso? Há vários telefones com o Android por aí, mas há um número ainda maior baseado em outras distribuições Linux e na plataforma LiMo. Em breve (talvez não tão “em breve” quando alguns de nós desejariam) haverá telefones com o Maemo para nós brincarmos, e não seria de se surpreender se telefones com o Moblin aparecessem num futuro não muito distante. Algumas dessas plataformas vão se sair melhor do que outras no mercado. E é bem provável que a plataforma mais aberta, que atraia o maior número de desenvolvedores interessados, seja a vencedora.

Créditos a Jonathan Corbetlwn.net
Tradução por Roberto Bechtlufft <info at bechtranslations.com.br>