Se o Linux é tão melhor que o Windows e é de graça, por que a maioria dos usuários ainda usa Windows?

Retirado do Viva o Linux. Muito bom! Escrito de forma clara e informal, é de fácil entendimento. Confesso que eu já usei algumas frases deste artigo (“O Windows é uma porcaria, o sistema trava o tempo todo e é cheio de vírus”, “O Linux é Open Source”, “O Linux é de graça”…rsrs…e quem não usa?). Abaixo conteúdo na íntegra:

Conversando com um novo usuário e indicando os benefícios do uso do Linux, ele me fez a seguinte pergunta: “Se o Linux é muito melhor que o Windows e é de graça, porque ele não é o mais utilizado?”. Eis minha resposta em forma de artigo.

Por: Renato Félix de Almeida
Vocês já tentaram fazer um usuário parar de usar Windows e passar para o Linux? Quais argumentos usaram?

1. O Windows é uma porcaria, o sistema trava o tempo todo e é cheio de vírus.

2. A Microsoft é mercenária, só quer saber do seu dinheiro.

3. O Linux é Open Source.

4. No Windows tudo é copiado de outros sistemas.

5. O Linux é de graça.

Mas agora o que você responderia para o usuário se ele te perguntasse:

“Se o Linux é tão melhor que o Windows e é de graça, por que a maioria dos usuários ainda usa Windows?”

Fico pensando qual seria uma resposta, pelo menos aceitável, para essa pergunta.

Acho que antes de dar a resposta, temos que acabar com alguns mitos.

1. O Windows é uma porcaria. Acho que aí está o grande problema, o Windows não é uma porcaria, é um ótimo sistema, muito fácil de usar e atende plenamente a maioria dos usuários. Ou vocês acham que o Bill Gates paga uma fortuna para uma equipe enorme de desenvolvedores, formados nas melhores universidades mundo a fora, para fazer uma porcaria?

2. A Microsoft é mercenária, só quer o seu dinheiro. Tudo bem, a Fiat também é mercenária, você não vai conseguir um carro sem pagar. O dono do boteco ali na esquina também é mercenário, o cara não vai ficar te dando cerveja de graça…

3 Linux é Open Source. Mas pelo fato de ser Open Source não significa que é melhor. Na verdade, tirando exceções (que confirmam a regra) os melhores programas ainda são proprietários.

4. Se grande parte do Windows é copiado de outros sistemas (o que realmente é), será que o Linux também não é?

5. O Linux é de graça. Essa parece até piada, o Windows pirata que 90% dos usuários domésticos usam também é.

Acho que temos que criar novas propostas para o sistema, mais claras e menos fanáticas. Ficam minhas sugestões:

1. O Linux é um ótimo sistema, provavelmente com a maior equipe de desenvolvedores no mundo. O sistema é atualizado numa velocidade incrível, qualquer falha que venha surgir é corrigida imediatamente e a atualização é também muito simples (basta dar um apt-get ou equivalentes).

2. O sistema é baseado no UNIX, priorizando segurança e desempenho.

3. O sistema é desenvolvido por apaixonados, pessoas que programam porque gostam. Fazer o que gosta com certeza torna o resultado final muito melhor.

4. Já existem aplicativos de qualidade, livres ou não, para a maioria das tarefas necessárias para um usuário comum no Linux.

5. Uma instalação do Linux normalmente dura muito tempo sem problemas. O Linux bem instalado funciona anos a fio sem formatação.

Uma coisa é importante: acho que além de falar das coisas boas do sistema, você deve citar também para o possível novo usuário do Linux as deficiências, que na minha opinião são:

1. Você não tem suporte técnico. Se por ventura ocorrer algum problema, você não terá um telefone para ligar ou um e-mail da mesma forma que os programas pagos tem (apesar de não adiantar muito). Mas existe na internet uma vasta documentação, e com um pouco de paciência e atenção a maioria dos problemas podem ser resolvidos com uma simples pesquisa no Google.

2. Você não tem nenhuma garantia. Se você instalar o Linux na sua empresa e o sistema parar de funcionar (o que é muito improvável), não terá a quem reclamar.

3. Pelo fato do concorrente (Windows) ser muito mais utilizado, é provável que em qualquer empresa que você for trabalhar o sistema utilizado será o Windows, tornando necessário saber utilizar os dois sistemas.

4. É possível que algumas coisas no seu computador não funcionem, alguns hardwares mais exóticos, placas de captura, scanners etc.

5. Será mais difícil encontrar técnico especializado para dar manutenção se necessário.

Acho que essa seria uma colocação mais sincera para o usuário. E a partir daí deixa o cara tomar suas decisões. Tentar impor o sistema para o usuário poderia gerar uma falsa expectativa e uma possível frustração.

Agora acho que está na hora de dar a resposta (minha resposta) para a pergunta que não quer calar:

“- Se o Linux é tão melhor que o Windows e é de graça, por que a maioria dos usuários ainda usa Windows?”

1. Trocar de sistema operacional não é tão simples como, por exemplo, trocar de carro. Todos os carros funcionam da mesma forma, ou de forma muito semelhante. No sistema operacional existem conceitos que são muito diferentes e, que a princípio, assustam um usuário menos experiente.

2. Comodismo. O ser humano é muito acomodado e por natureza não gosta de mudanças. Se o negócio está funcionando, para quê mudar?

3. O conceito equivocado que o Linux é um sistema difícil. É verdade que já foi um sistema difícil, mas hoje é tão simples quanto o Windows.

4. A falta de padronização e a quantidade de distribuições existentes do Linux que acabam por confundir o usuário.

5. O Windows já está bem implantando na mente dos usuários. Parabéns para a equipe de Marketing da Microsoft.

6. Os fanáticos pelo Linux, que na minha opinião são a maior praga que existe! Pessoas que se mostram como super usuários com QI acima do normal e que até desdenham de um novo usuário Linux. O problema é que a maioria das pessoas assim nunca escreveu uma linha de código, nunca configurou um simples servidor de arquivos. Vem com essa pose de superiores, seres de outro planeta, quando na verdade não conseguem sequer resolver uma simples dúvida de um novo usuário e por isso o tratam com desprezo.

Bom, fica aí a minha resposta para a pergunta…

Anúncios

Java vs .NET – Parte 2

Achei esta discussão pertinente de ser publicada aqui no blog. Para quem acompanhou a parte 1, aí vai a parte 2. Paulo Krieser mais uma vez expõe os fatos de forma clara, e dá explicações, complementando os comentários presentes no primeiro post, feito por leitores. Abaixo o texto na íntegra e retirado do Java Free. Boa leitura!

Acalorados comentaristas: esta coluna é para vocês, que contribuem para que nosso espaço fique melhor e possa nos fornecer cada vez mais informações preciosas. A idéia da coluna é justamente essa: participação.

Em um primeiro momento quero esclarecer que a idéia desta série de artigos é realizar comparações entre tecnologias da forma mais imparcial possível, para que o tomador de decisão possa escolher quais tecnologias utilizar em seus projetos.

Não existe uma tecnologia que seja melhor do que as outras: devemos sempre ter os objetivos em mente. Algumas se sobressaem em um fator, outras em outros fatores. Por isso a escolha de diversos itens de avaliação, como explicado na minha coluna Fatores para a Escolha de uma Linguagem de Programação.

Respondendo ao comentário do Vanderlei, que solicita o estudo realizado para a formulação dos gráficos que aparecem nas colunas. Conforme explicado em minha coluna Escolhendo a Linguagem: Java vs PHP, as notas atribuídas no gráfico são aproximações realizadas através de conhecimentos empíricos, da experiência que temos com projetos e através de pesquisas na internet.

A idéia não é se ter uma nota exata, e sim apenas um parâmetro de comparação indicando qual a melhor linguagem para determinado fator. Caso a informação contida no gráfico não lhe seja útil desta maneira empírica, fique à vontade para não utilizá-la.

Agora respondendo ao André Luiz Lehmann e ao Daniel: a idéia é comparar tecnologias. Talvez o melhor título para a coluna seja Escolhendo Tecnologias, mas eu não quis me deter a este preciosismo. A comparação é totalmente cabível sim, pois em muitos projetos que realizamos surgiu a dúvida: devemos fazer em Java ou .NET?

É a esta pergunta que queremos responder. Agora, mesmo sendo tecnicamente correto utilizar JEE vs .NET, ASP .NET vs Java ou JSP vs ASP, isto não desqualifica o artigo, devido ao propósito comparativo dele. Eu posso não ter utilizado as siglas com a precisão máxima, mas a comparação entre as tecnologias é totalmente cabível para um gestor tomar a decisão.

Jair: boa colocação, porém discordo em um ponto: o que percebemos no mercado é que o .NET acaba sendo mais rápido para desenvolver, mesmo o Java possuindo estas IDEs que você mencionou. Em uma grande parte dos casos, quem trabalha com .NET trabalha com o Visual Studio (versão paga), aproveitando suas funcionalidades RAD ao máximo. Já quem trabalha com Java normalmente não usa o IntelliJ, por exemplo.

Gabriel: não esqueci o Mono, ele está citado no terceiro parágrafo.

Agradeço ao Rogério Moraes de Carvalho pelo grande post, que demonstra uma certa consistência, embora apresente parcialidade. Concordo plenamente que a defesa não pode ser por paixão por determinada tecnologia, e sim por métodos objetivos.

Conforme comentei ao André Luiz Lehmann e ao Daniel, e vou comentar novamente, a idéia não é se conter aos preciosismos e discussões filosóficas se ASP é uma linguagem de programação ou se é apenas uma tecnologia, e sim realizar a comparação entre as possíveis tecnologias (ou plataformas) que podemos utilizar em um projeto.

Em um ponto Rogério, concordo com você: fui tendencioso em apenas este ponto, onde digo que nada na Microsoft é open source. Este ponto está enfático demais, porém não deixa de salientar a iniciativa monopolística da Microsoft. Todos sabemos que a Microsoft já sofreu processos em relação a isto.

Além disto, cometi um erro ao escrever Win32: eu quis dizer “plataforma Microsoft”. Obrigado Rogério pela correção.

Suportar diversas linguagens diferentes realmente pode causar mais caos e diminuir o quesito manutenabilidade. Por que temos padrões de projeto, melhores práticas e restringimos os desenvolvedores a utilizar o framework do projeto? Isto enrijece a estrutura, porém traz ordem. Este é o objetivo de se utilizar um padrão.

Claro que podemos utilizar apenas uma linguagem na plataforma .NET, porém ela permite utilizar várias, o que aumenta o RISCO de se aumentar a entropia do sistema. Utilizando um padrão fechado, com apenas uma linguagem e um framework, restringimos esta hipótese e diminuimos o risco de causar caos.

Em relação ao comentário do Rogério sobre conteúdo disponível, o que acontece é o seguinte: a plataforma JEE (às vezes a chamo simplesmente Java para fins de simplificação) possui muito mais tempo de mercado do que o .NET e mais programadores utilizando.

É mais utilizada em universidades, e devido a estes fatores o conteúdo na internet é maior do que o conteúdo disponível sobre as tecnologias Microsoft, o que facilita a curva de aprendizado. E veja que coloquei “a principal fonte de conteúdo é o MSDN”, e não a única fonte de conteúdo.

Conforme comentei em todas as colunas desta série, não sou apaixonado por nenhuma tecnologia específica. Minha intenção é fazer uma análise imparcial e objetiva, sem tendências, o que me faz discordar com a opinião do Rogério, que diz que fui “extremamente tendencioso”. Esta é uma opinião pessoal dele, que respeito, mas discordo impreterivelmente. O artigo possui embasamento técnico, teórico e empírico através da experiência que temos com o desenvolvimento de projetos. Queremos ser produtivos e atender ao máximo as demandas dos clientes, independente da tecnologia utilizada. O objetivo não é provar que algo é melhor, e sim atender bem aos clientes de acordo com os requisitos levantados.

Espero que esta série de artigos esteja ajudando a desenvolvedores, arquitetos e tomadores de decisão a conhecerem outras tecnologias e a fazerem suas melhores escolhas, pois este é o intuito do artigo.

Windows e a tela azul da morte

Vendo hoje o blog da Vanessa Nunes lembrei dos tempos em que “encarava” as telas azuis no uso do Windows (Win98, WinXP…), cada uma trazendo um desafio diferente. Velhos tempos…

Mas, será que são tão velhos assim? Acho que o assunto ainda é atual (WinVista por exemplo)…

Abaixo um vídeo que o “Tio Bill” quer esquecer:

E indico também, para os curiosos do assunto, as 12 “melhores aparições” de telas azul.

Formatar. Qual sistema escolher? Linux ou Windows

Artigo retirado do blog LEO3G, e que achei bastante interessante em termos de abordagem e aceitação dos sistemas baseados em GNU/Linux. Apreciem o texto abaixo:

A maioria dos usuários que tentam migrar para outros sistemas além do Windows sentem uma grande diferença de plataforma.
Buscam ansiosamente por uma plataforma gráfica parecida com a do sistema anterior para não desistir tão cedo ou então por receio de não achar tão fácil a migração. Alguns fazem o certo. Usam os livecds e se gostarem, instalam em sua máquina por completo ou em DualBoot.
Agora me pergunto o porquê desse medo?
Simples. A própria imagem negativa que o sistema GNU/Linux levou perante o começo de sua história.
Todos os viram como sistema para nerds ou para profissionais do ramo e na sua totalidade não o são. Devemos perceber que isso está mudando e agora o mundo da TI começa despertar para o sistema que tantos rejeitavam e que agora entendem o porque de várias pessoas dizerem a mesma frase: – Estou migrando para o sistema de código aberto.
Mudando de cenário. Há muitos usuários que tiveram o seu primeiro contato com a informática com sistema operacional GNU/Linux. Não preciso falar de vários projetos de inclusão digital espalhado pelo Brasil, mas porque rejeitavam esse sistema operacional? Deve haver algum problema.
Então digo que há , mas não com o sistema e sim com a própria imagem relacionada ao sistema de código aberto. Falta investir em marketing para reverter essa taxa de rejeição. Devem ter mais congressos, palestras e mais investimento governamental. Muitas faculdades usam, mas não vejo muita divulgação.
Existem vários eventos acontecendo, os quem sabem são assinantes de newsletters sobre o assunto ou porque fazem parte da própria comunidade.
Vocês já viram algum outdoor dizendo que haverá palestra sobre Software livre e instalação gratuita de sistema operacional?
As feiras de software livre estão acontecendo, mas ainda a parte de marketing está sendo esquecida.
Uma boa sacada de marketing foi na Campus Party onde vi que os aplicativos open source tiveram o seu lugar seja em palestras ou em competições.
A maior taxa de rejeição se faz presente quando o usuário do Windows tenta igualar a plataforma com seus programas e ferramentas com o sistema GNU/LINUX. Não veem que também pode aprender a usar outro sistema operacional e assim aumentando o seu conhecimento na área da tecnologia. Simplesmente se não for Windows não presta.
O sistema GNU/Linux não é Windows. O usuário de sistema de código aberto faz com louvor muitas atividades que um usuário Windows fariam, mas mesmo assim não é Windows.
Outra coisa que mancha a imagem do GNU/Linux são as montadoras de computadores que colocam um sistema aberto como uma imitação barata do Windows e ainda por cima defasada. Posso citar a CCE onde boa parte dos notebooks ou desktops vêm com o sistema operacional com a versão defasada do seu Satux 1.5 (já saiu a versão 1.7) com sua plataforma gráfica KDE como se fosse o Windows. Deixo claro que não estou falando mau do KDE onde por muito tempo usei e recomendo, mas critico a mentalidade dos desenvolvedores que elaboram um sistema como se fosse o Windows. Falta um pouco de criatividade.
Dias atrás um cliente veio com um notebook CCE Win com Satux para formatar e colocar o Windows XP, mas fiquei surpreso que o cliente queria deixar os dois sistema, pois achou o Satux bonitinho. Respondi de imediato que não tinha Windows e se colasse seria um Windows pirata e afirmei que não o faria. Com os olhos arregalados o cliente disse: – Como você não tem o Windows?
Expliquei sobre a licença do Windows e que a mesma custaria R$ 400,00.
O cliente pensou que eu estava cobrando o valor da licença pelo serviço e então esclareci que era do sistema operacional, mas disse que tinha uma solução que serviria e ainda por cima era de graça.
Ele disse: – De graça? Respondi. De graça. Só vou te cobrar pela formatação e pelo suporte.
Ele Gostou da ideia e quis o meu serviço.
Dias atrás ele ligou e falou que o sistema é fácil de usar, mas não estava conseguindo instalar alguns programas e que de vez enquando tinha problemas com o hotmail. Então deu uma prévia sobre os pacotes da distribuição e sobre o “cartel Microsoft”. Ele entendeu e falei que têm o Gmail e funciona muito bem com o Firefox.